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Política, Educação, Ciência e Cultura 

Atualizado: 21 de out. de 2019

Em primeira análise sou favorável a implantação de escolas de turno integral, porém, destaco alguns pontos que devem ser observados

Tramita na Câmara de Vereadores de Camaquã o Requerimento com Apoio do Plenário 90/2019 que solicita que o Executivo estude a viabilidade de introduzir o tempo integral de funcionamento nas escolas de educação infantil no município, com término às 19h. Se aprovado pelos vereadores, a proposta segue como sugestão ao prefeito.


Segundo o autor, a medida deve beneficiar pais que trabalham durante o dia e não tem com quem deixar os filhos. “A readequação no horário de funcionamento das EMEIs para tempo integral ocasionará melhoras na educação e desenvolvimento das crianças, que aprende melhor, se socializa, pratica atividades lúdicas e esportivas, se alimenta adequadamente, se sente capaz e acolhido, além de favorecer os pais, que poderão deixar seus filhos na escola pela manhã e buscá-los no final da tarde, permitindo que os mesmos trabalharem, sem ter preocupações de deixar as crianças com pessoas estranhas”.

Nem sempre uma escola de turno integral será melhor que uma escola de meio turno.

Justificar a implantação de escolas em turno integral para que coincida com término do expediente do comércio não é uma justificativa por si só plausível, existem outros elementos importantes para o desenvolvimento da criança que devem ser observados. Nem sempre uma escola de turno integral será melhor que uma escola de meio turno. Escola com uma proposta pedagógica “ruim” continuará ruim, só que duplicará o tempo de permanência da criança e não propiciará uma melhora na aprendizagem.


Por outro lado, precisamos refletir sobre o pouco tempo que pais convivem com os filhos. Infelizmente, com salários defasados a necessidade dos pais trabalharem com uma carga horária cada vez maior para manter a subsistência da família é uma realidade.


Portanto, para que tenhamos uma sociedade justa e socialmente sadia é necessário trazer a discussão da implantação de escolas em turno integral, a luz da compreensão de que o trabalho é meio e não fim, ou seja, trabalhamos para viver e não vivemos para trabalhar.


Foto: Divulgação

  • 2 de out. de 2019

Poder Público deve estabelecer prioridades para aplicação de recursos, visando sempre atender os mais pobres, que são a maioria da população.

Na última segunda-feira (30) foi aprovado o Requerimento com Apoio do Plenário nº 65/2019, solicitando ao Poder Executivo a destinação de uma área para a construção de uma quadra coberta de tênis e de padel para a comunidade camaquense. O requerimento de autoria dos vereadores Luciano Delfini (PTB) e Marcelinho (PSB) e subscrito pelos vereadores Ronaldinho Renocar (Progressistas) e Paulinho Bicicletas (PRB) recebeu 12 votos favoráveis e um contrário.

Entenda o caso

Após debate interno com a Executiva do Partido dos Trabalhadores (PT), chegou-se ao entendimento que existem outras áreas prioritárias no município para que recursos públicos sejam destinados.


Destacamos a posição favorável que a prática de esportes seja incentivada pelo poder público. No entanto, não se trata ser contra a prática esportiva do padel ou tênis em si, a questão balizadora para tomada de posição contrária ao requerimento, é que existe um déficit de locais para prática de esportes e lazer, principalmente para as pessoas de pouco ou nenhum recurso financeiro.


Assim, investir dinheiro público numa quadra para prática de esportes que demandam equipamentos caros comparados a realidade financeira da maioria das famílias é um equívoco. Podendo, inclusive, ferir o Princípio Constitucional da Eficiência que exige o satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros.


Fica o questionamento, será que quadras de tênis e padel atenderiam melhor a comunidade que a reforma do ginásio municipal? Ou a construção de quadras poliesportivas em bairros? Vereadores, sendo representantes da comunidade, não deveriam ouvir a comunidade e sugerir obras destinando suas emendas conforme o desejo da maioria e não apenas de grupos específicos?


Dessa maneira, reforçamos nosso apelo ao Poder Executivo para que invista em espaços para prática de esporte e lazer, mas consultando a população para saber quais as demandas prioritárias de cada comunidade.

Mais de 150 empresas camaquenses fecharam as portas só em 2019.

Comparativo fotográfico 2013 - 2019
Comparativo fotográfico 2013 - 2019. Fonte: Professor Edson Oliveira

Mais de 150 empresas camaquenses fecharam as portas só em 2019. O dado foi apresentado pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Camaquã (ACIC) em entrevista divulgada pelo site Notícias Camaquã e Região, nesta quarta-feira (24).


Segundo Paulo Pankowski, presidente da entidade, empresas de pequeno e médio porte estão encerrando suas atividades devido à gravidade da crise econômica.


Ora, não é novidade para ninguém que a economia do país está em pleno declínio. Ao andar pelas ruas da nossa cidade e ver a quantidade de salas comerciais com placas de “aluga” já é um indicador que a crise chegou, e chegou forte e vai perdurar enquanto a conjuntura nacional não mudar.

Comparativo fotográfico entre os anos de 2013 e 2019 em uma quadra central do município.

Camaquã não é uma ilha, sofre os reflexos da crise instaurada no pais. Mas, é importante destacar que a sucessão de governos de direita que perdura quase vinte anos e suas pautas desconectadas com o desenvolvimento local são fatores agravantes para a situação precária do nosso município.


No entanto, é preciso que as entidades patronais e seus dirigentes ligados a direita façam à autocrítica. Em 2015 apoiaram formalmente o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff, como foi o caso da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com o Pato Amarelo ou como fizeram outras de forma velada através de manifestações de seus dirigentes e apoios financeiros aos movimentos pró-golpe. Começava uma fissura na nossa jovem e frágil democracia.

Ainda não satisfeitos, apoiaram as reformas de Temer, que congelou investimentos sociais em áreas como educação, saúde, habitação e salário mínimo. Apoiaram a reforma trabalhista, sustentando que traria milhões de empregos. A Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) divulgou nota em seu site em tom de comemoração. “Agora o Brasil volta a crescer, gerar impostos, renda e movimentar a economia, num clima de tranquilidade e confiança”, afirmou a presidente da entidade na época.

Marcharam junto com Bolsonaro e fizeram um ser totalmente despreparado chegar à Presidência da República, mesmo após o próprio Bolsonaro afirmar que não entende nada de economia. Apoiam a reforma da previdência que além de ser extremamente prejudicial aos trabalhadores, levará a economia dos municípios ao caos.


No quesito da reforma da previdência tenho alertado as lideranças do nosso município para a catástrofe que isto significará entre 5 a 10 anos se for aprovada. Por exemplo, em 2018 os benefícios previdenciários destinados a Camaquã foram superiores a R$ 221 milhões, já o recurso destinado pelo Fundo de Participação dos Municípios foi de apenas R$ 43 milhões.


Então se realmente as entidades que representam o setor empresarial querem a retomada do crescimento da economia está passando da hora de começarem a defender que é necessário melhorar a renda dos trabalhadores, dar aumento real ao salário mínimo, assegurar-lhes as garantias e direitos constitucionais, investir massivamente em educação, fazer distribuição de renda através dos programas sociais, fortalecer o setor público em áreas estratégicas como é caso do setor de energia. Caso contrário seguiremos nessa toada e mais comércios fecharão as portas nos próximos meses.


leandro.neutzlingbarbosa@gmail

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