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Política, Educação, Ciência e Cultura 

Falar de Amazônia sem falar de carne é, no mínimo, uma forma de omitir o essencial.

Fala-se muito em preservar a Amazônia, em conter o desmatamento, em punir quem queima e derruba árvores. Mas raramente se fala sobre por que a floresta está sendo derrubada. A resposta é direta, desconfortável e amplamente conhecida: a principal causa é a pecuária — o pasto para o gado e, em segundo lugar, a produção de grãos para alimentar bois, suínos e frangos.


Por trás de cada pedaço de carne há uma extensa cadeia de impactos: desmatamento, emissões de gases de efeito estufa, uso intensivo de água e grãos, e perda de biodiversidade. A floresta não cai sozinha. Ela cai para abrir espaço para a expansão de um sistema de produção insustentável, movido por um padrão de consumo que já ultrapassou os limites do planeta.


Enquanto o debate ambiental permanecer restrito à “preservação da floresta”, continuaremos tratando apenas o sintoma, não a causa. A verdadeira discussão precisa alcançar o que está no prato. Falar de Amazônia sem falar de carne é, no mínimo, uma forma de omitir o essencial.


Não se trata de culpar o produtor, nem de romantizar soluções individuais — mas de reconhecer que o modelo agroalimentar vigente é parte do problema e precisa ser repensado. É preciso investir em políticas públicas, em educação alimentar, em incentivos à produção vegetal e em mudanças culturais que nos libertem da dependência da carne como centro da alimentação.


A floresta será preservada quando deixarmos de vê-la como obstáculo ao progresso e passarmos a entender que o verdadeiro avanço está em transformar a forma como produzimos e consumimos. A transição não é uma utopia — é uma urgência.

Projeto de vereador quer disponibilizar Bíblias nas escolas públicas do município Camaquã

Muito se tem discutido sobre a presença da Bíblia Sagrada em escolas públicas. Para alguns, é um atentado à laicidade do Estado. Para outros, uma iniciativa legítima, desde que sem custos ao erário e sem imposição religiosa.


Nesse contexto, de misturar política com religião e Estado com Igreja o vereador Hilson Lucas (Republicanos) apresentou na sexta-feira, 1º de agosto, na Câmara de Vereadores de Camaquã (RS), o Projeto de Lei Legislativo nº 11/2025. A proposta visa disponibilizar exemplares da Bíblia Sagrada nas escolas da rede municipal de ensino. O projeto divide opiniões e está gerando polêmica nas redes sociais.


Ter Bíblias nas escolas não deveria causar escândalo. O Brasil é majoritariamente cristão, e a Bíblia é parte importante de nossa formação cultural, histórica e literária. Negar isso seria uma negação da própria identidade nacional. O problema começa quando esse espaço é concedido apenas a um livro sagrado — e os demais são ignorados, silenciados ou até proibidos.


Alcorão, Bhagavad Gita, Torá, Livro dos Espíritos, textos budistas, indígenas e de matriz africana também fazem parte do panorama religioso de um país plural como o nosso. Se a escola pública é de todos, então todos devem se ver nela representados. E isso inclui o direito de acesso à diversidade de expressões religiosas, inclusive à nenhuma.


Trata-se de um equívoco perigoso querer resolver uma suposta ameaça religiosa com uma caça às bruxas. O combate ao fanatismo não se faz com censura, mas com equilíbrio. Não é retirando a Bíblia que se promove laicidade. É garantindo espaço para todas as fés — e também para o ceticismo.

Se um projeto permite a presença da Bíblia, sem obrigatoriedade, sem uso doutrinário, e sem custos ao poder público, não há violação constitucional. O que seria inaceitável e antidemocrático é impedir que outras crenças possam estar presentes sob o mesmo princípio.


A escola precisa ser um espaço de aprendizado e respeito. A Bíblia pode estar presente, assim como outros livros sagrados, desde que o objetivo não seja catequizar, mas abrir horizontes. A pluralidade não ameaça a laicidade. Ela é, na verdade, o que a sustenta.


Foto: Arquivo Pessoal

Atualizado: 11 de jan. de 2022

Asfalto impermeabiliza o solo e deixa todo o escoamento da água a cargo de um encanamento antigo e inadequado

A primeira chuva do ano deixou o centro da cidade de Camaquã e diversos bairros com pontos de alagamento. O asfalto colocado em diversas ruas do centro dificulta a absorção da água pelo solo, consequentemente, as ruas ficaram alagadas.


Ninguém é contra o asfalto, mas é preciso planejamento e atenção para não gerar mais problemas para a população. Essa camada asfáltica que está sendo aplicada sobre o paralelepípedo acaba impermeabilizando ainda mais as ruas. Não podemos esquecer que a tubulação é antiga e que talvez seja necessário substituir por novos de diâmetro maior para melhorar o escoamento das águas pluviais.


Vale lembrar que os canos que recolhem os esgotos produzidos pelas residências e comércios são os mesmos que escoam as águas das chuvas. Logo, quando esses encanamentos não suportam a quantidade de água, transbordam água da chuva junto com esgoto doméstico.


Diante desses dois fatores - a impermeabilização cada vez maior do solo e a tubulação inadequada, os alagamentos serão cada vez frequentes, principalmente no centro da cidade, trazendo muitos transtornos para lojistas, moradores e pedestres. A comunidade camaquense precisa dar mais atenção para este assunto, que a principio parece ser maravilhoso, mas agravará os problemas.


O editor deste blog já vem alertando para os problemas causados por essa impermeabilização asfáltica que está sendo feita de forma equivocada na cidade. Ruas centrais que já tem um bom calçamento com paralelepípedo estão recebendo camada de asfalto, enquanto moradores dos bairros convivem com pó e barro. Sem falar na péssima conservação das estradas da zona rural do município.


Outro aspecto que é importante destacar, para além dos alagamentos, é que a área central da cidade deve aquecer ainda mais. Aliado com os prédios cada vez mais altos, bolsões de calor irão se formar. Ninguém é contra o asfalto e melhorias, mas planejamento e estudo são necessários. Dinheiro público deve ser investido com inteligência.


Foto: Reprodução/Rádio Acústica FM


leandro.neutzlingbarbosa@gmail

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