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Política, Educação, Ciência e Cultura 

A falta de chuvas na região é preocupante e a situação pode se agravar se medidas não forem adotadas

Foto: Reprodução Wikipedia

A barragem do Arroio Duro, em Camaquã, atingiu 11% de sua capacidade nesta quinta-feira (30). O reservatório que possui nível mínimo de 40,28 metros está com 43,14. As informações estão disponíveis no site da Associação dos Usuários do Perímetro de Irrigação do Arroio Duro (AUD). A água da barragem é utilizada para o abastecimento da população e na irrigação de lavouras de arroz.


No interior do município de Camaquã a falta de água para as famílias e para os animais já é uma realidade. Famílias de diversas localidades do interior estão recebendo água através da prefeitura.


Na região, alguns municípios enfrentam dificuldades em manter o abastecimento. Em São Lourenço do Sul, o fornecimento de água para os moradores da cidade está sendo oferecido por um açude particular. No início de março a prefeitura solicitou que a população evite o desperdício, inclusive, publicou um decreto que impede o uso de água para lavar calçadas, telhados e carros, por exemplo. Em Pelotas, a barragem Santa Bárbara está com o nível da água 3,5 metros abaixo do vertedouro, conforme a atualização feita no último dia 29, segundo o site do Sanep.

O uso consciente da água

Se o Executivo não alertar a população sobre o uso consciente da água, se nenhuma medida de restrição for tomada, os camaquenses poderão ficar sem o abastecimento. A situação aumentaria ainda mais o risco de contágio do novo coronavírus, já que intensificar os hábitos de higiene é umas das principais formas de evitar a contaminação.


Enquanto aguardamos um volume maior de chuvas para a região, capaz de repor os níveis normais do reservatório, é necessário que medidas sejam adotadas para evitar o desperdício, evitando assim um possível racionamento de água a população.


Momento de crise requer criatividade, boa vontade e protagonismo

Os impactos da pandemia do coronavírus (covid-19) serão enormes: tanto na saúde pública quanto na economia. O momento pede que priorizemos o bem mais precioso: A vida. No entanto, precisamos lidar com os outros setores, como a economia.


É comum relatos de empresários e trabalhadores preocupados com as contas e com isso, assistimos entidades de classe pedirem a abertura do comércio, como Acic e Sindilojas.


De fato existe um consenso entre nós, desejamos a volta da normalidade.

Sempre a mesma fórmula, já esgotada

Mas o que vemos é sempre a mesma fórmula, já esgotada, na busca para melhorar o lucro e garantir a sobrevivência das empresas: estimular a compra e abrir o comércio por mais tempo.


Essa “receita de bolo”, ainda que discutível sob a ótica econômica, serve em outros momentos. Mas agora, diante de uma pandemia é necessário ousadia e protagonismo das entidades que tem a legitimidade de representar a classe dos comerciantes, principalmente dos pequenos comércios.


É preciso reinventar estratégias visando resguardar o bem mais precioso, a vida das pessoas, e minimizar os impactos negativos desta crise na economia. Ações devem ser realizadas no sentido de manter a sobrevivência das empresas, principalmente dos mais prejudicados, os pequenos empreendimentos.


As entidades patronais, devem assumir a responsabilidade

As entidades patronais, devem assumir a responsabilidade e conduzir o processo de negociação, tanto com governos, municipal, estadual e federal. Assim, como ações que envolvem diretamente as empresas, como o caso dos aluguéis.


Segundo uma nota que recebi do Sindicato do Comercio Varejista de Camaquã – Sindlojas Costa Doce menciona que a entidade aconselha que os contratos entre Locadores (donos das salas comerciais) e Locatários (comerciantes) firmem um acordo para que atenda os anseios das duas partes envolvidas.


Ao reconhecer a boa vontade da entidade patronal, é preciso dizer que isso não basta. Não se pode colocar sobre os ombros dos pequenos comerciantes, que em sua grande maioria não dispõe de um departamento jurídico, mais essa responsabilidade. É injusto!


Assim, de maneira similar, é injusto propor que os empregados façam acordos sobre salários e outros direitos trabalhistas diretamente com os patrões. Precisa-se de uma intermediação.


No caso específico dos aluguéis é imprescindível que as entidades chamem a si essa responsabilidade. Coloquem uma assessoria jurídica a disposição dos comerciantes, façam a negociação envolvendo as partes. Chamem as imobiliárias para participar deste processo.


E que fique claro que não se trata de propor aos comerciantes inadimplir com os contratos firmados, mas exatamente o contrário. Conseguir condições para que principalmente o pequenos comerciantes consigam honrar os seus compromissos e manter as empresas e e os empregos. Por isso encontrar uma solução razoável e possível neste momento passa por um acordo coletivo, respeitando a singularidade de cada caso.


Acredito que os representantes de empresários, tem o dever de nesse o momento pensar fora da caixa e buscar novas fórmulas de garantir a sobrevivência das empresas, garantir os empregos, sem colocar em risco a vida dos trabalhadores.


Foto: Ilustração

Grupo de moradores afirma que decisão do prefeito prioriza os interesses de alguns empresários, sem ouvir a população e seguir as orientações de especialistas em saúde pública

Uma petição pública on-line solicita que o prefeito de Camaquã, Ivo de Lima Ferreira (PSDB), mantenha o comércio fechado por mais tempo, no município. A petição criada nesta sexta-feira (27) é uma resposta à decisão tomada pelo Executivo, após reunião com empresários.


Segundo o autor da petição, Leandro Neutzling Barbosa, especialistas em saúde alertam que o pico de propagação do vírus será no mês de abril, sendo necessário manter o comércio fechado por um período maior.


De acordo com ele, é necessário adotar medidas para achatar a curva de disseminação, com o objetivo de garantir que o sistema de saúde possa atender a todos. “A medida adotada pelo prefeito se deve a pressão de empresários, sem ouvir representantes da Câmara de Vereadores, sem levar em conta dados de especialistas em saúde e a opinião do povo”, lamenta Barbosa, destacando que em enquetes em redes sociais, mais de 60% dos participantes defendem que o comércio permaneça fechado.

O isolamento como medida de evitar a propagação do vírus

Além da petição, um grupo no WhastApp foi criado para defender o isolamento como medida de evitar a propagação do vírus, o fechamento do comércio e buscar formas de ajudar pessoas através da doação de alimentos e produtos de higiene. “Entendemos que a situação financeira da maior parte da população é difícil, pois a economia do país estava complicada, mas agora devemos estabelecer prioridades: a economia ou a vida. Nós escolhemos e defendemos a vida, pois a economia é possível recuperar, a vida não”, afirma Barbosa.


O autor da proposta defende ainda que o governo crie mecanismos para auxiliar pessoas em situação de vulnerabilidade social, bem como cobrar do Estado e União mecanismos para oferecer linhas de créditos as empresas e isenção de impostos.


A petição já conta com mais de 500 assinaturas. Para participar da petição, basta clicar aqui.


Projeções


O município de Camaquã possui 66 mil habitantes, considerando um estudo liderado pelo Imperial College de Londres que foi assinado por 50 cientistas, incluindo um grupo relacionado à Organização Mundial da Saúde (OMS), os dados apresentados neste estudo foram dimensionados para Camaquã, respeitando as proporções em porcentagem.


No cenário sem que nenhuma medida de prevenção seja adotada, haverá cerca de 500 mortes no município. Em um cenário onde o isolamento é imposto apenas a idosos, estima-se 20 mortes. Se medidas rigorosas forem adotadas, como isolamento social, poderia haver duas mortes.

Leitos de UTI

Alguns gráficos apontam que 80% da população mundial será infectada. Um cálculo feito por epidemiologistas, estima que 80% dos infectados pela covid-19 não terão sintomas relevantes, mas 15% poderão precisar de tratamento e 5% de internação em uma Unidade de Tratamento Intensivo. Trazendo para a realidade local, se 80% da população de Camaquã for infectada, 5% irão precisar de leitos de UTI, ou seja, serão necessários leitos de UTI para 2.640 pessoas.


No entanto, o Hospital Nossa Senhora Aparecida de Camaquã atende mais de 10 municípios da região, sendo referência para cerca de 200 mil pessoas. Dessa forma, em nossa região ao menos 8 mil pessoas poderão precisar de UTI.


“A campanha para manter o comércio fechado e preservar o isolamento, é uma forma para que esse número de pessoas não precise do sistema de saúde ao mesmo tempo, se for pulverizado, aos poucos, todos nós seremos atendidos e menos pessoas irão morrer por falta de atendimento”, avalia Barbosa, destacando que é uma questão matemática e de escolha de prioridade.

leandro.neutzlingbarbosa@gmail

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